Algares do Cabeço Renhal
(Algar do Cabeço Renhal Norte 1, Algar do Cabeço Renhal 2 e
Algar da Rampa do Cabeço Renhal 1)
Bezerra, Serro Ventoso
21, 26 de Maio e 02 de Junho de 2019
Coordenação - Alexandre Leal.
Equipa - Alexandre Leal (21 de Maio)
Equipa - Alexandre Leal, Alexandra Leal, José Leal, Guilhermina Leal, Rodrigo Leal, João
Leal (26 de Maio)
Equipa - Alexandre Leal, José Leal (02 de Junho)
Na continuação dos trabalhos de exploração das cavidades do Cabeço Renhal foram realizadas saídas nos dias 21 e 26 de Maio, e também neste domingo que passou, dia 02 de Junho.
Na primeira data, e trabalhando a solo, comecei por efectuar uma primeira abordagem de prospecção à zona a norte da estrada utilizada para subir até ao Cabeço Renhal. Escusado será dizer que, atendendo à humidade e chuva caída nos dias anteriores, ainda a prospecção não tinha chegado a meio já estava completamente encharcado... Mental Note: Equipar-me devidamente para o efeito ajuda a permanecer "simpaticamente" seco!
Como resultado identifiquei uma micro fenda com penetração relevante (+3m) e algar, designado por "Algar do Cabeço Renhal Norte 1, que foi explorado em seguida.
Com um poço de entrada com cerca de 7/8m e um segundo poço com cerca de 3/4m, e alguns nichos/pequenas passagens em vários pontos, a pequena cavidade permitiu aceder, após uma rápida desosbtrução, a uma rampa apertada que terminava no que parece ser a cabeceira obstruída de uma terceira vertical, que aparenta ter uma dimensão ainda relevante (8/10m)
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| Desobstrução em curso. |
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| Cabeceira obstruida do 3º poço. |
No dia 26 o Clã Leal foi para a serra numa saída realizada após um almoço no Cantinho do Francisco. Em modo"light" equipei uma pequena cavidade designada como "Algar do Cabeço Renhal 2", com recurso a uma natural (cinta colocada em volta de um bloco sobranceiro à cabeceira), que se esgotou na sala de entrada situada na base do poço, e uma pequeno nicho a meia altura na parede de fundo.
No final da actividade foi identificada uma pequena depressão cujo interior estava completamente obscurecido por uma vegetação cerrada. Após uma breve investigação, leia-se afastar os carrascos entre muitas interjeições em calão, acabei por identificar uma pequena abertura na base no seu ponto mais profundo. Coisa pouca, na realidade. Diria mesmo que não mais do que 30 ou 40cm... até uma pedra mais bem colocada rolar "um pouco mais" por uma rampa abaixo. Havia ali algo que claramente valia a pena investigar mais a fundo
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| A vermelho a localização da abertura identificada. A amarelo a zona intervencionada na saída seguinte para aceder à rampa. |
Obviamente na saída seguinte estava lá batido... e chegamos a dia 02 de Junho.
Apesar da temperatura no Cabeço Renhal estar um pouco mais baixa do que em Lisboa, a verdade é que os 29º/30º que se fizeram sentir teve um custo elevado em termos de esforço acrescido e consequente baixa de rendimento físico. Aquele "mono" é uma ferramenta da maior utilizada para perder peso... ou pelo menos carradas anormais de líquidos, especialmente sob o sol. Quando finalmente chegámos à zona da depressão já estava completamente "encharcado"...
Em primeiro lugar foi mostrou-se necessário limpar a zona de intervenção, com a remoção de vegetação por forma a expor e facilitar o ingresso e os contornos do acesso à rampa.
Ao acesso originalmente identificado na saída anterior (a vermelho na foto supra), com a remoção da vegetação na zona demarcada pela oval amarela, identificou-se uma pequena abertura mais acima que iria dar directamente ao início da rampa.
Começou-se por remover os blocos encontrados na base da depressão na zona da abertura, que permitiu colocar " a nu" o acesso à rampa situado sob a zona a amarelo. Em termos práticos as dimensões desta abertura impossibilitavam o acesso ao interior da cavidade, pelo que se gizou um plano de ataque, a ablação de uma secção da parede da depressão entre a pequena abertura superior e a entrada original, com posterior alargamento para permitir o ingresso à rampa.
O processo decorreu de forma bastante célere até ao momento em que, após a remoção de um bloco da parede intervencionada, que se encontrava em contacto com o grande bloco (a vermelho na foto supra) dei conta, pela minha visão periférica, de um pequeno abatimento do referido grande bloco, e por consequência também do bloco identificado a amarelo (talvez uns 7cm, com uma pequena incriminação para a frente - no meu sentido).
Os reflexos colocar-me fora do caminho dos blocos, que também pareceram "assentar" naquela posição, obrigou a uma paragem dos esforços de desobstrução e uma análise mais apurada desta zona... e o que parecia ser uma zona de rocha maciça na verdade veio a revelar-se uma laje vertical, em forma de cunha imperfeita, completamente solta do maciço anterior, facto que estava escondido por uma camada de terra e vegetação que preenchia os espaços vazios entre estes elementos.
O bloco verde foi retirado, e o vermelho testado com vários movimentos e também com a utilização do pé de cabra, não apresentando qualquer movimento ou oscilação (o que também não é de estranhar atento à sua dimensão e peso). O amarelo encontra-se assente no vermelho mas, e não obstante a sua dimensão, "mexe" se for exercida.
Como podemos ver na fotografia à direita o volume foi reduzido significativamente e após mais alguns testes mostrou-se relativamente estabilizado, o suficiente para pouco a pouco, e com cuidados redobrados (nomeadamente com o elemento de superfície a dar apoio no controlo de possíveis movimentos) concluir o processo de desobstrução do acesso à rampa e posteriormente equipar o acesso com a colocação de dois pontos de segurança. Um no exterior, na parede da depressão à direita do acesso, e outro já dentro da cavidade por forma a permitir a descida para exploração.
Não obstante o esforço desenvolvido para garantir níveis mínimos de segurança na estabilização deste bloco tenho que alertar para a necessidade de manutenção de elevados índices de atenção no acesso e saída da cavidade, nomeadamente para não se exercer qualquer tipo de força nesta zona.
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| Visão para a rampa, tirada a partier do acesso ao interior da cavidade. |
No final de rampa encontrei uma pequena vertical de acesso à base de uma sala, com uma ligeira inclinação descendente, dava acesso a várias passagens/aberturas para espaços/pequenos poços colmatados com todo o tipo de blocos caídos.... à excepção da passagem que se desenvolvia no ponto mais baixo da sala, no fim da qual uma pequena nesga na parede de fundo (para a esquerda) parece dar acesso a uma pequena sala que terá uma base ou um pequeno poço com cerca de 2 ou 3m, como pareceram indicar as pedras enviadas a título de teste. De referir que também na base da parede de fundo, desta feita junto à parede da direita, por um pequeno buraco entre a parede e os vários blocos que preenchem o chão da passagem, várias pedras caíram cerca de 2 a 3m.
O acesso à sala supra mencionada necessitará de uma intervenção de desobstrução por forma a permitir alargar a pequena nesga, o que será feito numa próxima saída.
Cansado e desidratado, não obstante a muita água bebida durante toda a actividade, mas com a convicção do trabalho feito, estava na altura de arrumar a "tralha" e voltar ao carro para um descanso e repasto merecido.
Esta semana há mais...
Grande abraço,
Alexandre Leal






















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