Algar do Cabeço Renhal 5
Bezerra, Serro Ventoso
19 de Junho de 2019
Coordenação - Alexandre Leal.
Equipa - Alexandre Leal
... e aqui ficámos a semana passada, com uma passagem por desobstruir.
E desobstruída foi, ainda que num processo mais complicado do que antecipado. Mas vamos por partes, porque antes de arregaçar as mangas ao trabalho primeiro foi preciso remover para lugar seguro alguns espécimes encontrados na base do primeiro poço.
Uma vez que tinha encontrado dois exemplares de Salamandra s. na saída anterior, assim que desci, com cuidado para não haver incidentes, tentei localizar-las para as colocar no lado oposto da área de intervencionar. Para além das duas salamandras encontrei ainda um Tritão Ibérico (Lissontriton boscai), e um pequeno sapo bem escondidinho numa pequena fissura numa das paredes laterais.![]() |
| O sapo era mesmo pequeno. |
O que parecia uma missão fácil veio a demonstrar ser um processo contínuo de remoção das suas malucas pintalgadas que insistiam em trepar a pequena parede de pedras que fiz para as proteger e persistentemente caminhar na minha direcção... Salamndras com desejos suicidaste-te. Perdi conta ao número de vezes que tive de as remover da zona de perigo até que uma delas trepou para cima da corda e aí ficou quieta, e a outra "estabilizou" debaixo de um bloco de maior dimensão, posição que ia controlando pontualmente.
Depois veio a desobstrução e alargamento da passagem. O que parecia ser uma tarefa simples e relativamente rápida veio a mostrar-se mais complicada e morosa. A altura a que a passagem se apresentava na parede de fundo em relação à base do poço dificultava, e muito, os trabalhos, principalmente na zona mais alta. O ângulo de ataque em alguns pontos também complicava as coisas, especialmente quando tinha que estar "empoleirado" em oposição nas paredes laterais, numa forma pouco convencional, e à medida que ia avançando pela passagem as coisas iam-se complicado pela exiguidade do espaço conjugado com os factores anteriores.
Depois a pedra não estava a colaborar... bem, na verdade alguns pontos estavam bastante renitentes, mas com calma lá fui progredindo, acabando por conseguir alargar o suficiente para conseguir passar. Por uma questão de segurança coloquei um parábola a meio da passagem, no único ponto em que apresentava largura suficiente para conseguir utilizar a torna.
O acesso em si à passagem não fácil e exige muita ginástica e esforço para nos colocarmos numa posição adequada para progredir, tanto que a meio do processo de alargamento e tentativas de passagem já estava com as costas todas rebentadas, razão pela qual designei a passagem por "Quebra-Costas".
Mas por fim estava em condições de fazer a primeira passagem e ver o que me esperava do outro lado.
![]() |
| A passagem do "outro" lado. |
![]() |
| Embora não seja visível tive que colocar uma manga de protecção um pouco mais acima para evitar roços em zonas complicadas. |
Mesmo antes de descer já se podia ver que num dos lados o poço parecia ter uma maior profundidade, o que se confirmou na base ao encontrar-se uma pequena abertura de acesso a um terceiro poço, qua na verdade mais não é do que uma abertura no teto de uma terceira sala com cerca de 5 metros de altura.
Mas melhor que esta surpresa foi facto de uma das pedras enviadas para baixo cair bastante mais do que a base da sala facilmente visível por baixo de mim. Mesmo no limite da minha visão, situado directamente por baixo de mim parecia existir uma abertura, de dimensão impossível de averiguar do ângulo que me era possível, que daria acesso a um outro poço, o quarto, de dimensão similar tanto ao segundo como ao terceiro.
A possibilidade de continuação é assim bem real, a verificar na próxima saída com o alargamento da abertura para o terceiro poço e a sua descida... já esta semana.
Abraços espeleógicos,
Alexandre Leal










Sem comentários:
Enviar um comentário