segunda-feira, 17 de junho de 2019

Algares do Cabeço Renhal

(Algar do Muro do Cabeço Renhal  1 e Algar do Cabeço Renhal 5)

Bezerra, Serro Ventoso

14 de Junho de 2019






Coordenação - Alexandre Leal.
Equipa - Alexandre Leal, Alexandra Leal






No regresso ao Cabeço Renhal, em mais uma saída de exploração,  os objectivos traçados eram dois. Em primeiro lugar descer e explorar ( e se possível topografia) o algar designado por Algar do Muro do Cabeço Renhal 1, e posteriormente partir para a exploração do Algar do Cabeço Renhal 5, anteriormente identificado numa saída de prospecção, relativamente perto do Algar da Rampa do Cabeço Renhal 1.

Chegados ao local, e desta feita estacionando o carro muito perto do primeiro objectivo, até porque o algar que se encontra murado fica situado muito perto da estrada de gravilha que sobe o cabeço, o primeiro desafio foi equipar a vertical. 

A primeira escolha seria colocar uma natural num ou mesmo nos dois pequenos pinheiros que se encontram situados a cerca de 2 ou 3m da pequena abertura mas a presença do muro dificulta esta opção operacional, pelo que este primeiro ponto serviu apenas de aproximação para a equipagem da cabeceira... que como antecipado se mostrou algo complicado. A verdade é que não havia qualquer afloramento rochoso quer nas paredes do algar quer na cabeceira ou adjacente que se mostrasse minimamente sólido e estruturalmente seguro. A rocha que podemos ver na foto supra são, na verdade, vários blocos de pequena dimensão, que se encontram relativamente soltos. À excepção do primeiro, mesmo por cima do meu joelho direito.

Não que seja particularmente grande, ou estável (e mesmo a solidez é algo duvidosa em algumas das partes), MAS era a única opção minimamente viável. Foi colocado um parabolt, que com o primeiro ponto de segurança colocado no pinheiro, teve que servir para descer, com atenção redobrada do membro da equipa de exterior, uma certa espeleóloga "renitente" (ainda não perdi a esperança de a voltar a ver no interior de cavidades) que "estranhamente" apresenta um nome muito parecido com o meu, Alexandra Leal. 

A exploração ocorreu sem qualquer sobressalto, à excepção da ingestão involuntária de alguns mosquitos dos muitos, MUITOS, que gozavam a frescura e humidade oferecida pela penumbra da cabeceira do algar. 

Sem grande história esta pequena cavidade é constituída por um poço com cerca de 7m de profundidade, algo apertado, que termina numa pequena rampa, da base da qual, a cerca de 1,6m de altura abre uma pequena passagem com cerca de 2m. Em seguida foi realizado o levantamento topográfico, que entretanto deu origem à produção de uma topografia final, embora se deve referir que existe uma pequena hipótese, a confirmar numa próxima saída, da pequena passagem ter continuação para a direita, fora do ângulo de visão, uma vez que não foi possível, pela presença de um pequeno morcego, confirmar tal possibilidade.



É possível ver, ao fundo, o solitário morcego (desconhece-se a espécie) que esvoaçou um pouco para
fora do ângulo de visão. 
























Após uma "pequena" pausa para o almoço estava na altura de atacar em força o Algar do Cabeço Renhal 5. O primeiro passo, necessário para poder aceder no interior da cavidade, era desobstruir a cabeceira que se encontrava bloqueada pela presença de vários blocos de dimensão relevante. A escolha recaiu na remoção de um bloco situado numa posição estratégica, que daria acesso facilitado à vertical, tendo como ponto de partida uma natural colocada num eucalipto sobranceiro à vertical.

Trabalho esse que se veio a revelar mais fácil e rápido do que o antecipado. Na verdade em menos de 4 minutos tinha a abertura desobstruída, e pouco depois devidamente saneada.


Em seguida procedeu-se à equipagem da cabeceira, em Y, por forma a descer de forma segura, afastando a corda de qualquer eventual roço nas paredes. O que à partida parecia rápido veio a demonstrar-se mais moroso uma vez que a zona que mais se adequava num dos lados, identificada a vermelho na fotografia supra, apresentava um "som" que colocava em causa a sua integridade e resiliência. Com efeito apresentava uma fissura na sua parte anterior, o que, com a evidência do som, colocava em causa  a sua utilização. A solução encontrada foi a remoção do bloco marcado pelo círculo verde para a colocação de um dos parabolts na face do grande bloco que se encontrava por trás.


















Depois foi descer até à base do poço, com uma paragem numa pequena plataforma superior para verificar a estabilidade de um grande bloco sobranceiro à vertical, e examinar o perímetro da sala... que rapidamente veio a revelar uma estreita abertura na parede oposta.







Na aproximação à referida passagem foram identificados dois exemplares de Salamandra s., uma das quais foi removida para outra zona por uma questão de segurança do animal. 



A passagem em si mostrava-se demasiado apertada para ser "negociada",  em particular com o arnês colocado, pelo menos nesta primeira abordagem de exploração, mas revelou a existência de um pequeno espaço aberto no outro lado, e principalmente a existência de uma vertical que poderá ter mais de 5m. 

Na verdade estes são os dois únicos pontos que podermos dar como certos: a existência de um espaço mais largo do que a passagem, e a existência de verticalidade.





Pela sua dimensão, e pela existência de uma vertical no outro lado, será necessário desobstruir e alargar esta passagem por forma a poder aceder a esta nova zona, de forma segura, e com capacidade para equipar a cabeceira deste novo poço (ou sala inferior), por forma a ver o que este novo espaço nos dará.

Mas isso terá que ficar para uma próxima saída.... já, já à porta.

Grande  abraço,
Alexandre Leal

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