domingo, 11 de setembro de 2016

Algar da Arroteia

Chão das Pias, Planalto de Santo António

10 de Setembro de 2016




Coordenação- Marco Dias (NEL)
Equipa - Marco Dias (NEL), Alexandre Leal (GEM), Florbela Silva (AESDA/GEM), Bruno Pais (AESDA/GEM)








Uma semana depois de regresso aos trabalhos no Algar da Arroteia, contando desta vez com a Florbela, que tem o condão de trazer alegria e jovialidade a qualquer expedição, para além da sua experiência e bom-senso.

O Marco tinha estabelecido dois objectivos para a saída de hoje:

- Explorar e topografar a zona pós sifão aos -70, após o meandro na ponta de exploração do nível mais profundo. 

- Colocar uma bomba de 12v para drenar um sifão na galeria fóssil e assim permitir a sua passagem numa próxima saída.

Como objectivo secundário, mas não menos penoso, retirar dois "kit-bags" deixados pela equipa anterior. Chamo-lhes kit-bags por cortesia, porque pelo peso mais pareciam cofres repletos de barras de chumbo :).




A descida aos -70 foi rápida e num piscar de olhos estávamos a passar o sifão que ainda a semana passada se encontrava fechado.

Foi necessário retirar a escada que havia sido colocada o ano passado na pequena vertical (ascendente) que encontramos na sala imediatamente a seguir ao sifão por se encontrar bastante degradada e equipar uma via que permitisse a progressão de forma célere e segura.

Este sector é caracterizado por uma sequência de passagens de pequena dimensão, algumas das quais bastante estreitas, e que exigem um posicionamento específico para permitir a progressão.

Em alguns dos casos será conveniente uma intervenção para alargar a passagem nos pontos particularmente exigentes, e assim permitir a progressão de todos os membros da equipa, e facilitar a continuação dos trabalhos.



Fotografia por Marco Dias (NEL)





Fotografia por Marco Dias (NEL)
E foi assim que nos deparámos com uma fenda vertical bastante estreita, em particular na sua zona terminal, uma vez que vai afunilando, ainda que suavemente. O suficiente para se tornar num verdadeiro desafio.

A sua dimensão frustrou a primeira tentativa, levada a cabo pelo Bruno. Atento à estrutura física coube-me a mim a segunda e derradeira tentativa, e por momentos julguei ser também vencido pelo último troço da estreiteza. De referir que tive de deixar o capacete para trás, pois de outra forma o esforço seria certamente inglório. 

Foi um momento que me fez lembrar o Hélio "Pika" Frade na primeira passagem do S do Senna, no Buraco Roto. 

Estava eu a dizer que não conseguia passar e lentamente lá me ia esgueirando, que não conseguia avançar mais, e de repente, com um jeito, uma subida estratégica de 10cm ou 15cm e um esforço final, e lá estava do outro lado, num pequeno espaço, cuja a base se situava cerca de 70cm abaixo da fenda, sensivelmente a altura que se encontrava submergida em água cristalina.

Este não era, no entanto, o fim da passagem. Esta continuava, no mesmo sentido, após um cotovelo à esquerda. Um apertado meandro, com a parte inferior submergida, e que aparenta possibilidade clara de progressão, embora seja necessária uma análise mais aprofundada e colocá-la à prova. Devo dizer que fiquei muito entusiasmado com as perspectivas que abre, embora seja, claramente, necessário uma intervenção para alargar a fenda e possibilitar o ingresso a esta nova secção da passagem.



Efectuei um levantamento provisório de dados topográficos desta secção, tendo sido, posteriormente, realizado um trabalho mais apurado  a partir da fenda, e no sentido inverso, levado a cabo pelo Marco Dias e Bruno Pais, durante o qual aproveitámos, eu e a Flor, para fazermos um pequeno exercício físico, levando os  Kit-Bags de desobstrução até à sala da refeição aos -55. Uma tarefa muito divertida e soft, desempenhada com grande diversão e humor à mistura. Ok, Ok, a parte final é exacta e verdadeira, a tarefa, no entanto, assumiu contornos quase épicos, entre gargalhadas e peripécias.

Molhados, cansados, mas com a alma cheia, houve tempo para hidratação e uma pequena refeição,  repor as forças, antes de subir à superfície, até porque a temperatura corporal, por efeito das roupas encharcadas em água fria, já não era a ideal, o que levou aliás a  colocar-se de parte a execução do segundo objecto, a colocação da bomba no sifão da galaria fóssil.

O P45 mostrou-se mais difícil de subir que na semana transacta. O esforço despendido para trazer os Kit-bags pelo apertado meandro, corrimão e poços, até à base do P45 fez estragos. Os braços estavam cansados e a subida foi forçosamente feita a um ritmo mais lento.

Fotografia por Marco Dias (NEL)
E não é que enquanto eu e a Flor, esbaforidos, subíamos os outros dois furões descobriram, por debaixo dos blocos que constituem a base do segundo poço, um P10, o que aparenta ser um novo poço?!?! Os esforços de ambos, na desobstrução e remoção de pedras, terão revelado já cerca de 3 ou 4 metros de profundidade... Será esta uma nova via de progressão?!?! Talvez próxima semana traga novidades.


Cá fora aguardava-nos um sol aprazível, que rapidamente nos secou as roupas e nos devolveu a temperatura e as forças. A boa disposição, essa, esteve sempre presente, mesmo quando o Marco teimava em mandar-nos toneladas de pedra e lama seca para cima.

A equipa à saída:

Fotografia por Bruno Pais (AESDA/GEM)

Fotografia por Marco Dias (NEL)

Fotografia por Marco Dias (NEL)

Fotografia por Marco Dias (NEL)
E já sabem como é. Para a semana há mais...

Um abraço,
Alexandre Leal




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