Algar da Arroteia
Chão das Pias, Planalto de Santo António
17 de Setembro de 2016
Coordenação- Flávio Lucas (NEL)
Equipas
1 - Orlando Elias (NEL), José Artur (NEL), João Ferreira (NEL), Alexandre Leal (GEM);
2- Flávio Lucas (NEL), Florbela Silva (AESDA/GEM), Bruno Pais (AESDA/GEM), Luís Meira (AESDA), José Ribeiro (AESDA).
3- Segunda descida (por volta das 17h30) - Orlando Elias (NEL), José Artur (NEL), Luís Serafim (NEL), João Ferreira (NEL)
Uma tarefa que exige muita paciência mas também um esforço continuado, por vezes em posições pouco confortáveis. Sentados num misto de pequenos "grunhos" de lama seca, cascalho mais ou menos fino, e pequenos blocos de pedra (a maioria arredondados, tipo seixo) mas sempre molhados, lá fomos retirando material atrás de material de dentro da água para o depositar atrás de nós.
As primeiras impressões apontam para a existência de uma fractura, de dimensões ainda por apurar, na base da parede, zona onde conseguíamos "enterrar" o ferro mais profundamente por entre o material aí depositado. Por outro lado o pequeno buraco "esconde" uma pequena passagem ascendente, que aparenta inverter para dentro pouco acima, o que, a confirmar-se, abre expectativas interessantes. Parece-me importante apostar e insistir neste ponto.
1 - Orlando Elias (NEL), José Artur (NEL), João Ferreira (NEL), Alexandre Leal (GEM);
2- Flávio Lucas (NEL), Florbela Silva (AESDA/GEM), Bruno Pais (AESDA/GEM), Luís Meira (AESDA), José Ribeiro (AESDA).
3- Segunda descida (por volta das 17h30) - Orlando Elias (NEL), José Artur (NEL), Luís Serafim (NEL), João Ferreira (NEL)
![]() |
| Vista da cabeceira do Poço da Cascata (P15) @ -55 |
![]() |
| Like a Boss \m/ Fotografia por Florbela Silva (AESDA/GEM) |
Sábado pelas 9h da manhã (mais coisa menos coisa) e lá estávamos "todos" diante do buraco. Equipar não equipar, entre uma conversa animada e uma troca de opiniões (e fotos com poses "sérias" "Like a Boss Style"), lá nos preparámos para descer, devidamente enquadrados em equipas com funções atribuídas pelo Flávio.
Os objectivos principais eram dois.
Uma equipa iria continuar os trabalhos na ponta de exploração a -70 (efectivamente deverão ser -67 uma vez que subimos uma pequena vertical), centrados na desobstrução e alargamento dos pontos mais críticos para se poder atacar a ponta e segurança e progredir de forma sustentada.
A segunda equipa iria, finalmente, colocar uma bomba para drenar um "sifão" na Galeria Fóssil, com o objectivo de perceber se existiria forma de progressão. Como objectivo secundário esta equipa tinha também planos para a desobstrução e descida do poço descoberto na semana passada na base do segundo poço (e que na verdade parece der uma continuação natural do mesmo).
![]() |
| Fenda na ponta de exploração. |
A equipa de desobstrução da ponta de exploração, na qual me inseria, partiu "desfalcada" para baixo, constituída apenas pelo Orlando e por mim, uma vez que o Zé Artur havia rumado às profundezas mais cedo para garantir que o sifão estaria aberto... e o João falhou o alarme!! :) Chegou tarde mas chegou, e juntou-se aos trabalhos com redobradas energias.
Os trabalhos de desobstrução foram duros, com o alargamento de um ponto que colocava alguns entraves e o começo dos trabalhos na fenda apertada situada na ponta de exploração, passada pela primeira vez na saída anterior, mas que, atento às suas dimensões, não só não permite a passagem pela esmagadora maioria dos membros da equipa, como não permite o ingresso e progressão no sector seguinte.
Os esforços iam-se repartindo entre esta tarefa principal e a exploração/análise da base da pequena chaminé que antecede a área intervencionada, e que surge logo a seguir ao sifão. O objectivo era duplo. Por um lado, e uma vez que esta zona aparenta ser mais profunda, apesar de se encontrar por ora obstruída, apresentava-se como o local ideal para colocar a bomba utilizada para manter o sifão aberto. Por outro lado a pequena abertura que se pode ver na fotografia infra indicia uma possível passagem, de dimensões ainda desconhecidas.
Uma tarefa que exige muita paciência mas também um esforço continuado, por vezes em posições pouco confortáveis. Sentados num misto de pequenos "grunhos" de lama seca, cascalho mais ou menos fino, e pequenos blocos de pedra (a maioria arredondados, tipo seixo) mas sempre molhados, lá fomos retirando material atrás de material de dentro da água para o depositar atrás de nós.
A base deste pequeno nicho, ainda submersa, aparenta ser constituída por material variado que se foi acumulando, trazido e aí depositado pela água. Com o Zé Artur a coordenar os esforços neste sector, e com a ajuda de um ferro, que ia soltando bolhas de ar retido entre as camadas do sedimento, e a improvisação de um balde a partir de um garrafão de água de 5litros, lá fomos trabalhando, aprofundando e, com a ajuda da bomba, expondo um pouco mais do pequeno buraco que podemos ver na fotografia supra.
As primeiras impressões apontam para a existência de uma fractura, de dimensões ainda por apurar, na base da parede, zona onde conseguíamos "enterrar" o ferro mais profundamente por entre o material aí depositado. Por outro lado o pequeno buraco "esconde" uma pequena passagem ascendente, que aparenta inverter para dentro pouco acima, o que, a confirmar-se, abre expectativas interessantes. Parece-me importante apostar e insistir neste ponto.
O material/sedimento retirado foi posteriormente, e atento à sua quantidade, utilizado para nivelar a zona do sifão, o que irá permitir, se tudo correr como esperado, a sua passagem a seco.
![]() |
| João na ascensão do P45. Perto da boca, na outra corda, o Zé Artur preparava-se para sair. |
Com o corpo já moído foi tomada a decisão de subirmos à superfície para uma refeição quente bem merecida, ficando no ar a possibilidade de regressarmos para retomar os trabalhos mais tarde, o que veio a consumar-se, com o ingresso de uma equipa por volta das 17h30m.
Enquanto nos divertíamos entre a remoção de "lascas" de rocha partida, e o "chapinhar" na poça, a outra equipa também se dedicou a esforços molhados, tentando ferrar, sem sucesso, a bomba no "sifão" da Galeria Fóssil. A análise, dentro do que foi possível e perante o que lhes era dado a conhecer, aponta mais para a possibilidade de estarmos perante um "cul-de-sac", onde a água se vai acumulando mas sem passagem para outras zonas, e não um verdadeiro sifão entre dois pontos.
![]() |
| Visão do pequeno poço encontrado na base do P10 |
De regresso à "Sala da Refeição", tiveram ainda oportunidade para continuar os esforços de exploração do pequeno poço encontrado na base do P10. Com o trabalho efectuado foi possível a sua descida e o Luís Meira acabou por concluir pela inexistência de possibilidade de progressão. A leitura que faço leva-me a crer que se trata de uma pequena continuação do poço principal (o P10) que evolui na sequência de uma fractura vertical na parede lateral e que termina cerca de 3m mais abaixo.
Os trabalhos desta equipa prolongaram-se um pouco mais do que da Equipa 1, tanto que acabámos por nos cruzar na zona de acesso ao Algar quando regressávamos de um belo almoço algures por Amiais.
Um dia de labuta, de trabalho de sapa, de paciência mas também de esforço físico. Para se conseguirem novas descobertas, para se confirmar ou infirmar pontos de interrogação que vão sendo assinalados, mas sobretudo para expandir as fronteiras da ponta de exploração é necessário um trabalho de retaguarda e persistência, um trabalho de equipa, por forma a termos o suporte necessário para uma progressão dentro de parâmetros controláveis de segurança. Hoje foi "talhar" a pedra e abrir caminho, talvez para a semana se trilhem caminhos novos...
Para a semana há mais,
Alexandre Leal





Sem comentários:
Enviar um comentário