Gruta do Almonda Velho
Almonda, Zibreira
24 de Setembro de 2016
Coordenação- Rui Luís (AESDA), coordenação geral, Valter Luís (AESD), coordenação equipa terrestre.
Equipa Terrestre- Valter Luís (AESDA), Luís Meira (AESDA), Florbela Silva (AESDA/GEM), Bruno Pais (AESDA/GEM), Mariana Di Castello (AESDA), Alexandre Leal (GEM).
Inserido no âmbito de uma actividade levada a cabo pela AESDA (Associação de Estudos Subterrâneos e Defesa do Ambiente), integrei no passado dia 24 de setembro uma equipa de exploração que se "aventurou" nos labirínticos corredores e passagens de uma das maiores clássicas portuguesas, a Gruta do Almonda Velho.
Uma cavidade com uma extensão muito assinalável para os padrões Portugueses, em particular se considerarmos o conjunto Almonda Velho e Almonda Novo, que na realidade são um sistema único, apresenta no sector explorado uma natureza particularmente desconcertante para quem navega aqueles corredores, tantas vezes apertados. É um verdadeiro labirinto 3D, com encruzilhadas múltiplas, em todos os sentidos e direções. Ora subindo, ora descendo até ao nível freático, para mais à frente voltar para trás.
É uma cavidade que, também por este elemento de complexidade acrescida, exige um esforço sistemático e coordenado para que possa ser explorada e conhecida na sua plenitude, com frentes tanto no elemento de espeleo pura (terrestre) como também em toda a parte submersa, através do espelho-mergulho.
Uma topografia apurada e sistemática de todas as áreas descobertas é uma ferramenta importantíssima, em particular numa cavidade com estas características muito especiais, levada a cabo, necessariamente, por uma equipa multidisciplinar.
Estou particularmente confiante ao afirmar que muito há ainda por desvendar e explorar no Almonda, com as suas passagens enganadoras, que nos iludem, que nos tentam a progredir num sentido, deixando para trás ou escondendo pequenas passagens ou nichos na sombra de um ressalto, na sombra de uma curva, na sombra de um pequeno recanto...
![]() |
| Vista superior para a Conduta dos Escutas. Ao fundo afunila, com a base a unir-se ao tecto numa zona consolidada com lamas e barro. |
Um sector em particular me parece central e exigirá uma cuidada atenção. Estou a falar na Passagem/Conduta dos Escuteiros, uma encruzilhada a que acedem várias passagens aos mais variados níveis. Uma conduta escavada na rocha, que alarga cerca de 3m acima da sua base num dos seus lados, formando uma sala de maiores dimensões, com muitos pontos de entrada, mas que, estranhamente, não parece ter desenvolvimento natural de saída. Importa, pois, investigar os pontos terminais da conduta principal.
Estou certo que os trabalhos levados a cabo pela AESDA serão coroados de êxito e que nos possam trazer um pouco mais de conhecimento sobre esta magnífica cavidade cársica, sobre esta nascente.
E por falar em nascente...
Para a semana há mais... algures, trilhando cominhos escuros apenas iluminados pela nossa vontade de conhecer mais e melhor.
Alexandre Leal



Sem comentários:
Enviar um comentário