Sumidouro 11, Prospecção no Polje
Polje de Minde, Minde
02 de Outubro de 2016
Coordenação - Alexandre Leal
Equipa - Alexandre Leal (desobstrução/exploração), Alexandra Leal (superfície)
Apoio Moral - Pequenos Guerreiros de Minde (Rodrigo e João Leal)
| Paulo Rodrigues a trabalhar no recém descoberto Sumidouro 11 - 22 de Novembro de 2015 |
Muitas vezes adiado, mas este domingo concretizado, o regresso ao Sumidouro 11, descoberto no Polje de Minde no dia 22 de Novembro de 2015, por Hélio Frade (CEAE), com a presença de Paulo Rodrigues (GEM) e o vosso, Alexandre Leal (GEM), durante uma acção de prospecção levada a cabo durante um fim de semana de trabalhos no Polje, inserida no âmbito de um projecto dirigido e coordenado por Paulo Rodrigues.
| Passagem onde vemos o Paulo a trabalhar na foto supra. |
O sumidouro 11 é um pequeno algar com cerca de 180cm de profundidade, que apresentava dois passagens passíveis de progressão mediante trabalhos de desobstrução, como podemos ver nestas duas fotos tiradas na altura.
| Passagem que ontem desobstruí. |
Com esta possibilidade em mente, a confirmação da existência de um poço, optei por levar material de equipagem e equipamento vertical, o que culminou num "certo" peso para cerca dos 5,2 Km de caminhada/prospecção que acabámos por realizar, que se juntou ao indispensável material de desobstrução (Big and Small Mike mais o Mauler).
| Sumidouro 13 |
| Sumidouro 4 - Já identificado no Cadastro de S. Bento |
Pelo caminho ainda assinalei dois pontos, um dos quais confirmei já se encontrar assinalado no Cadastro de São Bento como Sumidouro 4. O novo ponto, que designei como Sumidouro 13, aparentava ser um poço empedrado e posteriormente obstruído com pedras, muito perto do que parecia ser uma fractura obstruída à superfície, que se pode ver na foto acima do poço, onde se encontram acumulados aqueles blocos.
| Vista geral para o Sumidouro 11, à esquerda, na sombra do arvoredo. |
| Visão entre as rochas à superfície. |
| Sumidouro 14. |
Bem, Sumidouro 11... "Saltar" lá para dentro e de imediato perceber que tinha sido alvo de trabalhos de desobstrução, desconhecendo-se, no entanto, os seus autores, que desde já saúdo. A passagem "do Poço" tinha sito aberta, permitindo ver uma pequena queda de não mais de um metro, sem no entanto se perceber se havia continuação. A passagem era apertada e o ângulo não ajudava.
De referir também que ambas as passagens são relativamente instáveis, não só devido à pouca resistência estrutural da rocha como principalmente ao facto das passagens terem resultado ou sido transformadas por um ou mais abatimentos. Tanto as paredes como o teto eram formados por blocos de variada dimensão que se amontoam e se encontram suportados por dinâmicas muito pouco estáveis, basicamente um castelo de cartas, como as fotografias infra podem ajudar a comprovar.
Era, pois, uma passagem que exigia um certo cuidado, sob o olhar atento da Xana à superfície, e da qual não veio a resultar nenhuma margem de progressão possível. O espaço era exíguo, complicadíssimo de trabalhar pelas razões já aduzidas, e, à excepção de uma pequena passagem obstruída que seguia na direcção do poço e da outra passagem, sem nenhuma forma visível de progressão.
Restava regressar ao poço e atacar a outra passagem.
Foram retirados vários blocos de dimensão variada, rapidamente se percebendo que a progressão, para uma fenda que se via na parte posterior do nicho, exigiria a ablação da camada superior do grande bloco que ocupava a parte central do nicho, bem como a eliminação de uma quina no bloco superior que formava o tecto, por forma a criar um espaço suficiente para permitir a passagem.
Foi um trabalho relativamente rápido, atento às características da rocha, que fracturava com grande facilidade, embora sempre com algumas cautelas devido a controlo estrutural da cavidade. Toda a rocha envolvente "estremecia", como a Xana me fazia questão de ir avisando.
Retirada aquela camada superior do bloco, ainda assim se mostrou extremamente difícil a aproximação à fenda, pelo que se optou por utilizar o capacete para filmar para além desta, até porque o espaço abria para a esquerda e o ângulo apertado não permitia grandes veleidades.
Logo no local visualizei as imagens e constatei que, para além de duas garrafas de plástico que para aí foram arrastadas pelas águas, se verificava a presença de uma pequena passagem, cujas dimensões não permitiam, porém, qualquer forma de progressão sem um alargamento muito grande, o que, atento às condições se mostrava muito difícil, especialmente sem se perceber qual o desenvolvimento possível... não se justifica, neste momento, qualquer esforço adicional no local.
| Pequenos Guerreiros do Polje |
Com o trabalho feito neste ponto, e porque o dia estava convidativo, levantámos o acampamento e prosseguimos com a prospecção, ora pelo meio do mato muito espinhoso, ora seguindo os trilhos existentes.
A paisagem, com tons dourados, era a espaços deslumbrante...
Pouco tempo depois de iniciar-mos o caminho de regresso, e muito perto do trilho que seguíamos, a morfologia do terreno por entre os arbustos chamou-me a atenção e despertou-e memórias. Tinha encontrado o ponto identificado na prospecção de Novembro do ano passado onde se "amontoavam" pequenos sumidouros, como que de um campo de minas explodidas se tratasse. As marcas do nível da água eram ainda bem visíveis nos restos de vegetação/algas retidos nas rochas e arbustos. Um testemunho aí deixado pela água sugada pela terra.
Um espantoso número de buracos que têm que ser objecto de uma análise mais cuidada. É uma zona fascinante mas algo estranha.
Depois disto foi seguir o trilho até ao carro, tendo optado por utilizar uma via diferente no último terço do terreno, e assim "bater" zonas novas.
O peso carregado fazia-se sentir já com alguma acuidade, e nada melhor que repousa um pouco e repor as forças numa almoçarada tardia no local do costume.
Um abraço,
e até à próxima.
Alexandre Leal





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