Coordenação - Alexandre Leal (NEL) Equipa - Alexandre Leal (NEL), Bruno Pais (AESDA), Florbela Silva (AESDA), Marco Dias (NEL), Flávio Lucas (NEL)
As vicissitudes da exploração espeleológica. Fotografia por Florbela Silva
Com uma equipa alargada o plano para hoje era um pouco mais ambicioso. "Atacar" o Algar Eureka, desobstruindo e alargando o ponto de constrangimento 180cm abaixo da cabeceira, e descer, analisar o potencial do Algar do Unicórnio que aparentava estar obstruído pouco abaixo da sua abertura, e se possível regressar ao sub-nicho no final da Galeria dos Fantasmas, ingressando via Algar das Raízes, e continuar os trabalhados de desobstrução na passagem lateral.
Chegados ao chouso fomos recebidos de forma particularmente vociferante pela manada residente e o seu grande touro e senhor, o Unicórnio, logo em frente ao portão... e de lá não arredavam pé.
Entre ultrapassarmos este obstáculo de peso e termos a equipa completa e preparada para os trabalhos ainda demorou o seu tempo, mas por volta das 11h00 já estávamos a trabalhar na desobstrução dos dois algares, sempre debaixo do olhar atento dos nossos amigos de quatro patas.
Atenção esta que criou alguns momentos de emoção e muita diversão, pelo menos para quem estava cá em cima ao sol, que eu, lá enfiado no buraco, só ouvia as gargalhadas.
Fotografia por Florbela Silva.
Fotografia por Florbela Silva.
Fotografia por Florbela Silva.
Foram criadas duas equipas relativamente estáveis mas que iam flutuando de um ponto para o outro consoantes as necessidades sentidas a cada momento.
Fotografia por Florbela Silva.
No Algar Eureka fiquei eu, o Marco e a Florbela (que ia também dando apoio à outra equipa).
Fotografia por Florbela Silva.
No Algar do Unicórnio, que por ironia das ironias tem uma abertura dupla como que a troçar do animal que lhe deu o nome, o Bruno e o Flávio.
Os trabalhos no Eureka foram extremamente interessantes e diversificados nas técnicas utilizadas, tendo permitido aplicar na prática os conhecimentos adquiridos no Workshop dado pelo Orlando Elias no âmbito das actividades do NEL.
Técnicas que potenciaram, diria mesmo possibilitaram, uma progressão a um ritmo considerável, atendendo às dimensões do buraco no início.
A verdade é que a pouco e pouco, alternado a metodologia e as técnicas empregues, fomos avançando, fomos alargando, fomos limpando terras e removendo blocos (e enviando outros tantos pelo poço abaixo). Fomos improvisando, mas sobretudo fomos progredindo.
Fotografia por Florbela Silva.
Fotografia por Florbela Silva.
Fotografia por Florbela Silva.
Fotografia por Florbela Silva.
Fotografia por Florbela Silva.
Fotografia por Florbela Silva.
Tudo teimava em prender o braço, o fato e o arnês...
Com a progressão dos trabalhos foi efectuada uma primeira tentativa de passar o ponto mais apertado, que veio a revelar-se precoce. As paredes mostravam-se ainda com alguns elementos irregulares, uma pequena formação em calcite em particular, que dificultavam os movimentos e em última análise impediram a passagem. Para dizer a verdade tudo parecia prender os movimentos e o fato, e os níveis de conforto (particularmente o aspecto psicológico) eram muito reduzidos. A opção foi abortar a tentativa e continuar os trabalhos de desobstrução.
Estes pontos acabariam por ser "limados" através da utilização da torna em modo de martelo pneumático, que surpreendeu pela sua eficácia em calcite (bastante mais do que em calcário maciço), promovendo uma segunda tentativa, coroada de sucesso.
Fotografia por Florbela Silva.
Fotografia por Florbela Silva.
Fotografia por Florbela Silva.
Fotografia por Florbela Silva.
Fotografia por Florbela Silva.
Fotografia por Florbela Silva.
Fotografia por Florbela Silva.
Sempre com um olho no buraco e outro no boi, até que alguém se lembrou de ir tirar uma "selfie" com o Unicórnio. Ao que parece, que eu não vi, as coisas aqueceram um pouco e ele (o boi, claro está), decidiu colocar os vermelhinhos no lugar que lhes compete... À excepção de um, que optou pela via arborícola.
Entretanto lá em baixo tomava o pulso à base do poço, analisava as possibilidades de progressão e procurava a "lona" perdida, que havia caído durante os trabalhos de desobstrução.
Passagem para o segundo poço.
Na base o espaço não era propriamente largo, basicamente um pequeno nicho que dava num lado para um poço paralelo ao que havia descido, e que sobe ( na minha perspectiva) até uma abertura secundária, de dimensão bastante inferior à abertura principal, e no outro lado para uma apertada passagem (de dimensão bastante reduzida) que dá acesso a um segundo poço.
Ainda houve oportunidade para começar os trabalhos de alargamento da passagem mas de forma muito limitada e insipiente. O objectivo era perceber a dimensão deste poço, o que não se mostrava fácil.
Pelas imagens que foi possível recolher ao colocar o capacete pelo espaço disponível e pelo som efectuado pelas pedras a caírem pela vertical abaixo, diria que terá cerca de 8 a 10 metros, de uma parede bem lisa, e que não aparenta ter qualquer forma de constrangimento ou dificuldade na sua descida, uma vez ultrapassada a passagem que o antecede, e que vai exigir algum trabalho de desobstrução.
Não sendo possível visualizar o fundo do poço não é possível fazer uma avaliação ajuizada sobre a margem de progressão, embora esteja entusiasmado com as possibilidades que abre, especialmente tendo em conta a sua localização, e a profundidade acumulada no contexto do local.
Definitivamente um trabalho a ter sequência num futuro próximo.
E era altura de inverter o sentido e subir de volta à superfície, mais uma experiência apertadinha e aconchegante...
Momento da descoberta do Algar do Unicórnio. Fotografia por Florbela Silva.
Enquanto isso os trabalhos iam avançando no Algar do Unicórnio, com o Bruno e o Flávio a liderar os esforços, com a ocasional presença do resto da equipa.
Análise da abertura "principal".
Fotografia por Florbela Silva.
Quando o dia começou a zona de intervenção apresentava uma entrada visível, de maiores dimensões, e uma secundária, tapada com alguns blocos, mas que mostrava também potencial. Na verdade ambas devem unir-se algures mais abaixo, embora neste momento seja tudo conjectura (e "wishful thinking") pois a única certeza que temos é que temos terra, muita terra, para tirar, e no fim pode não dar em nada, embora não acredite neste cenário. Aquele perímetro bem definido de pedra "lavada" promete afundar pela terra dentro...
Fotografia por Florbela Silva.
Escusado será dizer que a imagem que tinha e a que encontrei pouco tempo depois era já bastante diferente. Os trabalhos de desobstrução avançaram muito rapidamente no início, tendo a equipa limpo o local de intervenção, pondo a descoberto a segunda abertura, tendo começado a remover material e expor um pouco mais do seu interior.
Na base das aberturas gémeas uma camada de terra macia e leve, de um castanho rico e escuro. À medida que os trabalhos iam aprofundando o interior um dos blocos que compunha a ponte de pedra que separa as duas aberturas ameaçava deslizar e cair, o que atento às duas dimensões não era uma perspectiva agradável.
Fotografia por Florbela Silva.
A sua remoção mostrava-se também muito complicada atento ao peso envolvido. A solução encontrada foi partir o bloco para que as partes resultantes fossem mais manejáveis e permitissem a sua retirada. Os esforços foram coroados com um sucesso parcial, uma vez que o bloco se encontrava fracturado, no sentido horizontal, o que acabou por mitigar o impacto da intervenção. Acabou por permitir a remoção da parte superior do bloco, mas a base do mesmo permaneceu com uma dimensão demasiado grande e acabou por tombar para a base do "buraco".
Os trabalhos de remoção de terra e outros blocos foram então retomados sem no entanto se conseguir chegar a qualquer conclusão sobre a viabilidade do projecto. Que o buraco continua para baixo parece-nos evidente. Resta saber se o esforço é viável, atendendo ao possível volume de terras envolvido. Pessoalmente acho que é ainda cedo para decidir , opinião que parece ser partilhada pela equipa, pelo que os esforços deverão continuar. Até porque não podemos descartar a possibilidade de ligação com algum(s) dos algares da zona, na continuação do sistema, embora estranhamente apenas este chouso aparente conter este tipo de potencial. Na verdade são muitos os pequenos buracos que além destes mais significativos encontramos dentro destes muros de pedra, coisa que não conseguimos à data encontrar em mais nenhum dos que o rodeiam.
Fotografia por Florbela Silva.
Fotografia por Florbela Silva.
Fotografia por Florbela Silva.
No final deixámos a zona devidamente protegida por forma a acautelar qualquer incidente.
Fotografia por Florbela Silva.
E por hoje era tudo, com a promessa de voltarmos muito em breve...
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